domingo, 27 de janeiro de 2013

Chiclayologia

Máscara de olhos alados do Senhor de Sicán

Na escola, a gente aprende sobre os Incas e sobre como eles eram fodas em sua agricultura e ao lidar com ouro e tudo mais. E é bem por aí mesmo. Mas desde que eu cheguei aqui, tenho descoberto que a cultura pré-colombiana é muito mais do que Cuzco e aquela coisa lindideus que é Machu Picchu.

Depois de levantar de madrugada (imagina o bom humor) e de três horas de viagem, cheguei em Lambayeque, para conhecer um pouco mais sobre algumas culturas aqui da região norte: os Sipán e os Sicán. Dizem que o museu onde estão os achados arqueológicos e a tumba do Senhor de Sipán é o melhor do Perú. Não sei se é o melhor, mas o lugar é sim muito bem guardado. Te revistam antes de entrar e nada de câmeras fotográficas para não danificar as peças. Ou seja, nada de fotos. Dá para entender o medo, já que a riqueza que encontraram com esse cara é incrível. Muitos objetos de ouro puro, cerâmicas muito detalhadas, jóias que dão vontade de levar pra casa e colares de spondylus, uma concha que era sinal de status. Junto com ele uma galera morta, que se sacrificou voluntariamente, querendo morrer com o seu Senhor. Sua esposa preferida, um guardião, um sacerdote... todos para o acompanharem na entrada do novo mundo. Ah, e o dress code para os acompanhantes é sem os pés, que eram arrancados dos cadáveres para que eles não levassem a sujeira desse mundo para o lado de lá.

O Spondylus da riqueza

Os mistérios de Sicán
Apesar do museu de Sipán ser mais moderno e mais rico em detalhes, gostei mais do "humirde" museu de Sicán. A mim o que me atraiu mais é a aura de mistério que envolve esse povo e a tumba de seus senhores. Coloco uma foto para ajudar na explicação, sim? 

Senhor de Sicán: Eternamente desconfortável

O senhor de Sicán foi enterrado de cabeça para baixo em posição fetal. Ao lado dele duas mulheres e uns objetos. A da esquerda simboliza a parteira e a que foi sacrificada deitada seria a mulher grávida, parindo o Senhor no outro mundo. A posição em que ele se encontra corrobora o fato de que ele estaria em uma espécie de útero pós morte. Mas na real ninguém sabe qual é a da máscara na cara e nem o porquê arrancaram a cabeça dele, fazendo-o olhar para um determinado sentido.
O outro senhor foi encontrado olhando para o mesmo sentido, só que foi enterrado com um verdadeiro harém. Se sabe que os dois senhores tiveram algum tipo de parentesco (avô e neto ou tio e sobrinho) e que as mulheres sacrificadas eram primas ou irmãs de quatro famílias distintas. Ah, vou botar uma foto do outro senhor também:

A língua desses povos se chama Muchik e até hoje tem gente que a fala. Não é muita gente, nada que se compare ao Quéchua, que é bastante falado no sul do país. Mas os locais, muitos dos quais têm sobrenomes vindos desses povos, estão engatinhando na valorização dessa cultura. O esforço mais representativo é o concurso que anualmente elege uma espécie de Miss e Mister Sicán, que devem saber falar ao menos um pouco do idioma.

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